segunda-feira, 10 de março de 2008

Como a Música e o Jazz se Transformaram em Pop

Vários estilos e elementos foram construídos pelos negros, tais que pelo fato de possuírem qualidades artísticas visíveis e auditivas com indefectível intuição, eram discriminados e exilados de suas próprias evidências. São eles os arquitetos de vários estilos que se propagaram para quase todos os cantos do globo. Nos Estados Unidos foram eles que introduziram o blues que mais tarde caracteriza o jazz de raiz e mais tarde o jazz fusion. São eles os principais bandleaders de quilate de um Miles Davis, Ornette Coleman ou John Coltrane entre outros. Mesmo Duke Ellington com sua elegância, causaram impactos que jamais poderão ser extraídos das artérias do jazz. Essa técnica e apuração foi sendo lapidada com o passar do tempo e trouxe benefícios que muitos observaram como obstáculos, mas sabemos que estes foram derrubados contra o preconceito da aceitação de seus próprios ídolos, sendo que artistas negros eram segredados ou simplesmente não eram valorizados como seres artísticos.
No Brasil isso não foi diferente. Os negros trouxeram seus cantos africanizados desde a época da Escravidão e mesmo antes com os cantos mouros que eram aceitos em determinadas áreas do nordeste sofreram a forte influência do negro nesta tal cultura.
O maxixe, gênero primário do samba, era compassado e muito boliçoso para as ditas elites da época. Pois desde os primórdios eram apenas costumes praticados e dançados pelos próprios negros. Após esta modéstia evolução que sucedeu para o gênero samba. Houve pessoas que contribuíram de forma significativa para que o samba fosse explorado e posto como arte. O choro foi aceito primeiramente que o samba, mas tambem sofreu resistência. Tia Ciata foi uma das personagens que mais alicerçaram estes gêneros e os expandiu de dentro de sua casa e abrigou inúmeros artistas que transformaram a raiz da musica brasileira para a qual conhecemos hoje.
Acontece que o que é raiz, seja em música ou arte, com o tempo passa a sofrer uma diluição, isto é, torna-se mais pop, mais comercial e vendável. Isto em poucas palavras, sofreu a influência que muitas gerações desenvolveram por orgulho a uma nação e que foi reduzida a algo insosso e monótono.
Nas décadas de 50 e 60 como podemos observar nos Estados Unidos, o rock também sofreu expansão com um artista branco, Elvis, mas antes dele cantores como Little Richard, por exemplo eram "banidos" das rotas musicais. Duke Ellington e os mais geniais jazzistas também foram interpelados e postos em dúvida para saber se o que realmente faziam era música. Thelonious Monk com nome dificílimo e nível técnico mais apurado ainda, sofreu inúmeras ameaças de seus amigos e posto como anti-musical. Junto com Ornette Coleman foi repudiado e aceito apenas com certa resistência da parte individual destas figuras. Sabemos hoje, que tais caráteres foram seletivos e indispensáveis para o que se ouve hoje em dia, mas estes são artistas que geraram tais movimentos musicais e dispuseram nestes o que possuiam dentro de si.
As décadas seguintes foram o manifesto e uma pré-anunciação do que se encontraria hoje, principalmente depois das revoluções e evoluções ritmicas e que o tempo traçou de simplificar. A década de 90 foi a década da "citação". Houve todo um agrupamento de estilos de artistas, como os já citados, em muitos outros que surgiram logo depois. Hoje, ocupa-se o mínimo de genialidade e se usa a quase copiação plageada.
Ouvimos artistas afinados e de boa técnica, muitos dos quais passei a admirar e que tem me conquistado talvez por estas mesmas qualidades. Quem se renova e não se preocupa com a quantidade de acertos e erros é Herbie Hancock. Admiro este pianista, como tantos outros, mas com a perfeição que lhe foi atribuída, nota-se que o tempo encarregou de trazê-lo para o lado pop, assim como artistas de cunho que passam desde Alícia Keys, Jamie Cullum, Corinne Bailey Rae e Joss Stone como os que flutuam também para o blues como John Mayer que traz um caráter que B. B. King conquistou com uma mágica tranquilidade com sua a guitarra dita de blues.
Todos esses artistas trazem em si inspiração. De fato são inspiradores, e voltando para a primeira pessoa: Eu os Admiro! Frase dita com exclamação mas que ao contrário das raízes que tanto merece respeito, nota-se que não trazem nada de novo para o que se tem de atual. Crítica não deve haver, são pontos de vista que se vêem de ângulos diferentes em um mesmo segmento. São citados estes artistas não com um apontamento grotesco, mas suave ao que o pop vem cativando para nossa juventude. Tendo escrito este "nosso", onde me deixa como um possível e passível cúmplice, mostra que também me preocupa com esta crise. A mesma que o pop mescla com estilos e citações para se recriar e renovar a captação de novos músicos em um possível futuro que os amantes dos antigos estilos encontrem hoje em dia com uma enorme captação singular ao que uma época era acatado como original.
Deixo possíveis sugestões para saciar a curiosidade do que, tanto no Brasil, quanto nos Estados Unidos ou Europa, trouxe com originalidade e que hoje flui como pop nas veias da música.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

29 de Fevereiro: Um Encontro Quaternário

Lendo em um site com resumos de coisas propositais e sobre a existência de fatos como este do dia específico do "29 de Fevereiro", podemos assim dizer que se sucede apenas porque como nossos dias não possuem exatamente 24 horas por dia fica entao acrescido um dia a cada quatro anos para que o sol fique alinhado novamente para a cada mais quatro anos acontecer o fato novamente. É mais ou menos assim.
Sabe-se ainda que com a modernidade em quase seu auge tudo ocorre numa velocidade estonteante. Da-se mais valor ao que traz Ibope e menos ao que realmente importa. Sendo assim, prefiro sempre a qualidade quanto a quantidade.
Longe de mim, fiquei feliz em saber que este blog ficou "postado" em alguns itens para pesquisa no Google (maior site para pesquisas, tanto no Brasil como no mundo), e assim, creio que preciso aumentar cada vez mais esta qualidade que sempre busquei.
Por enquanto trago novidades em descobrir o jazz... e creio que em pouco tempo trarei aqui uma materia bem interessante ao meu gosto, que humildemente neste caso em especifico, atinge o pop jazz. Ouço o que tem qualidade e em quase tudo busco o mesmo.. Não sendo mais tão superficial me despeço aqui e felicito-vos por termos mais um dia neste ano de 2008.. um grande abraço à todos e ate mais...

sábado, 29 de dezembro de 2007

Poema do Menino Jesus

Dentro do pouco tempo que tenho disponível (e que prometi trazer um poema de Fernando Pessoa) o faço agora antes que o ano encerre. Ouvindo tanto Maria Bethânia, como recitando este mesmo poema e entre tantos outros que a faz muito bem como "Ultimatum" entre tantos, estou a dizer que Fernando Pessoa com certeza é um dos maiores poetas existentes e dos quais mais admiro. Assinando este poema como Alberto Caeiro trouxe uma singeleza e uma leveza que Bethânia o "resumiu" com uma técnica incrível em seu CD e DVD homônimo "Maricotinha ao Vivo" onde me pareceu que a versão resumida pareceu-me mais bela que a extensa. Entretanto tudo à poesia é incrível e quem sou eu a dar opinião! Meu desejo era dizer um pouco do meu gosto e do que interesso antes de encerrar o ano. Com o que já trouxe aqui fiz uma pequena síntese do que sou culturalmente. Aí está o belo poema na íntegra.

Poema do Menino Jesus
Num meio-dia de fim de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu tudo era falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas -
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque nem era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E que nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o Sol
E desceu no primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar para o chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou -"Se é que ele as criou, do que duvido." -
"Ele diz por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres.
"E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa
.... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural.
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é por que ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre.
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.
A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.
A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontado.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.
Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens
E ele sorri porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do Sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos dos muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono
.... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é
.... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam ?

Alberto Caeiro

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

25 de Dezembro e Festas de Fim de Ano

Com a já manjada música "Então é Natal" sentimos a nostalgia e a melancolia que o Natal produz e amolece os corações dos brasileiros. É tempo de festas e de se sentir feliz. Apesar de eu adorar muito Fernando Pessoa, onde publica na célebre "Natal" o recomeço e a obscuridade que a data nos atinge. É dele inclusive poemas que me deixam fascinado como Cada coisa tem seu tempo ao seu tempo... e ainda expressões que imagino como "coisas materiais são passageiras e coisas espirituais são eternas", que mesmo não sendo dele, eu o lembro como poeta tanto quanto o poema do Menino Jesus, onde emprega-se como Alberto Caeiro. Assim existe um texto que encontrei por acaso, e que pela data é válido lê-lo por completo, e lembrá-lo, assim como são as lembranças que o final de ano nos trazem como "flash-back".

Já fiz cosquinha na minha irmã só pra ela parar de chorar, já me queimei brincando com vela. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto, já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo. Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista. Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora. Já passei trote por telefone. Já tomei banho de chuva e acabei me viciando. Já roubei beijo. Já confundi sentimentos. Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido. Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro, já me cortei fazendo a barba apressado, já chorei ouvindo música no ônibus.
Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer. Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas, já subi em árvore pra roubar fruta, já caí da escada de bunda... Já fiz juras eternas, já escrevi no muro da escola, já chorei sentado no chão do banheiro, já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante. Já corri pra não deixar alguém chorando, já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só. Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado, já me joguei na piscina sem vontade de voltar, já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios, já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso, já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial.Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar. Já apostei em correr descalço na rua, já gritei de felicidade, já roubei rosas num enorme jardim. Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um 'para sempre' pela metade.Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol, já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão. Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú, chamado coração.
E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita:'Qual sua experiência?'.Essa pergunta ecoa no meu cérebro: experiência... experiência.. Será que ser 'plantador de sorrisos' é uma boa experiência? Não! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta:'Experiência? Quem a tem, se a todo momento tudo se renova?'

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Conceitos Impróprios

Desde o começo do mês penso em iniciar a construção de algum texto para transcrevê-lo neste blog. Pensando assim, nestes últimos tempos tive a iniciativa de propor a escrever um texto mais extenso, e que ao mesmo tempo seja intenso, como uma autobiografia, não autobiografica, prefiriria fazê-lo com outro personagem, mas com os mesmos propósitos. Com a facilidade de expressão de idéias, do moderno faça-o-que-quiser que corre à solto pelos meios de comunicação, não vejo dificuldades em um aluno às vésperas de se formar em Letras encontrar dofoculdades de raciocínio para se fazer uma boa argumentação, ou quem dera, um rascunho de um livro.
Conheço desde pequeno aquele ditado que "um homem deve ter filhos, plantar uma árvore e escrever um livro". Creio que tudo tem fundamento. Devemos transmitir, ou melhor, compartilhar o pouco que sabemos e além de tudo focar o que temos de útil para darmos nossa colaboração.
Há daqui exato um mês, finalizamos mais uma etapa. Mais um ano se finda. Que as expectativas não fiquem estacionados em papéis, que corram com toda a desenvoltura e oportunidades das quais são possíveis de serem realizadas. Se sua finalidade aui é o aprendizado, ótimo. Capaz de acreditar em algo mais, dê um passo a mais também, verá o quanto isso é necessário.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

20 de Novembro - Dia da Consciência Negra

Será que no século XXI está preparado para o convívio mútuo entre brancos e negros? Sabemos que negro é raça, preto é cor. Nossos irmãos negros têm os mesmos desejos e os mesmos ideais que a nossa fina pele esconde e colore em cada indivíduo. Ontem foi um dia de orgulho e para se lembrar o quão frágil é a sociedade contemporânea. Em quase quatrocentas cidades este eriado gerou nossas perspectivas e novos olhares para a cultura negra brasileira que representa com grande supremacia quase metade de toda a população brasileira. Os negros, mesmo recebendo menores apoios governamentais e menores salários que os brancos, não têm em tal século de progresso, a chance real de se igualar diante o homem branco. Por que será? As mulheres então, recebem menos ainda que os homens, e a mulher negra recebe menos ainda que a mulher branca. Onde está o direito e como podemos cobrar do branco (e quem sabe do negro também) uma melhor instrução para o nosso futuro? A desigualdade está aí diante dos olhos, não enxerga essa realidade quem não quer.


Estive em Curitiba quase uma semana e percebi o quão miscigenada é a nossa nação. Curitiba quase não possui negros ou mulatos. Ao caminhar pelo centro e em grande parte de alguns bairros, surgem um ou outro negro(a). Não sei o que acontece. Ao acaso se ficam flagelados aos arredores dos bairros menos favorecidos ou são empregados domésticos presos dentro das residências dos brancos. Apenas notei o descaso de alguma "Curitiboca" que sem estudo, ou ouvir o pedido de uma informação, responde com gritos que: -Não!... Não!... Não sei! Foi uma sucessão de gritos ao impor sua ridícula verdade de desconfiança. Eu nunca vou esquecer esta cena. A agressão verbal se dá quase que exclusivamente aos "berros" por classes menos instruídas, onde a pobreza e o desemprego geram conflitos e incertezas ao seu próprio futuro. Agarram tudo o que têm e não olham para os lados, nem ao sustentar uma informação, que no intuito de obter uma resposta é agredido verbalmente.

Nossa "Consciência Branca" toma conta do país há muitos anos, é hora de igualdade. Que a desconfiança quanto à classes distintas de pessoas não alterem o convívio pacífico que é o grande ideal utópico desta grande nação. Polêmicas e sussurros surgem em qualquer beco. Idéias brilhantes e verdades indiscutíveis são postas para o lado de fora da razão.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Nara Leão: A Musa da Bossa Nova

Depois de ter assistido a algumas partes do documentário feito pela Globo em "Por Toda Minha Vida", e sendo que é depois de uma antiga admiração que eu já possuía por Nara, compreendi a importância e a falta que Nara tem à música brsileira, e em especial a nossa MPB. Conhecia parte de sua obra e havia dúvidas que me foram esclarecidas como a causa de sua morte, que há uma semana descobri ser o câncer que a matou. Nara era única e da mesma forma que Erasmo Carlos disse na entrevista (ao que preferi compreender) foi que a coisa mais linda era o timbre único que Nara posúía, era pessoal e intransferível. Nara era apaixonada por seus joelhos, e estes não foram mostrados no DVD do Programa Ensaio de 1973, (mesmo ano da gravação do DVD de Elis Regina, ambos em preto-e-branco).
Neste DVD, podemos ver Nara contando fatos de sua vida, música e carreira da forma que a caracterizou sempre, com sua meiguice e timidez típicas. Depois de várias remasterizações e de encaixotarem toda a sua obra em duas caixas de Cd´s com 13 ou 14 Cd´s cada. Isso é um fato depois de tantos relançamentos e das vendagens que apresentaram números significativos, revela que, o povo brasileiro começa a acordar e a entender sobre suas origens e compreender a real importância de nossa Cultura.
Nesse exemplo, Nara e Elis são indiscutíveis. Apresento esse exemplo de Nara, pois este é o mês de aniversário de minha mãe, e a acho muito parecida com Nara em 1987. Como Nara causa ausência nesses dias que a MPB caminha para a repetição. Nossa salvação está em Bethânia ou em Adriana Calcanhotto, que a acho a artista mais parecida com Nara dos velhos tempos.